quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Definir é limitar!



Desde pequenos, somos empurrados a nos definir ...
Perguntas como "o que você quer ser quando crescer?" ou "Você é bonzinho ou pimentinha?" fazem parte da infância de qualquer criança.
Com isso passei boa parte da minha vida tentando me entender. Tentando me encaixar num padrão.
Eu deveria decidir entre ser estudiosa ou não, ser calada ou tagarela, gentil ou estúpida, mas peraí .. pra que isso tudo?!
Porque eu gosto de estudar .. SIM!! Adoro estar em contato com coisas novas, mas tem dias que eu não tô com o menor saco pra isso!
E eu adoooooro falar, amo conversar, trocar uma ideia, dar gargalhadas, mas tem dias que eu quero ficar na minha, de boa, ouvindo musiquinha, quietinha (embora isso sejá raro, rsrs), e nem por isso estou chateada, doente, ou aborrecida com o mundo.
Ser gentil? Ok! Sou completamente a favor, mas até onde ser gentil? Vamos combinar que tem horas que dá vontade de mandar aquela atendente do call center da operadora do seu celular ir pra puta que a pariu porque ela simplesmente não entende (ou finge que não entende) qual é o seu problema, isso quando você não percebe que ela entendeu, tem como solucionar, mas apenas não quer, acordou de mal humor, tá com preguiça, ou sei lá o que. Como diz uma amiga minha .. "Ser gentil só até o verso da página!" porque realmente tem gente que não merece que sejamos gentil nem até a página dois!
Então peraí .. se eu sempre tiro notas boas em português, mas fico de recuperação em matemática, o que eu sou?
E se eu sempre gostei muito de falar e resolvi ficar quietinha hoje, será que estou com algum problema e ninguém me avisou?
E se eu que sempre fui gentil hoje mandei um engraçadinho pra puta que pariu porque me senti sendo desrespeitada por ele? Será que passei de gentil a estúpida e não sei?
Como funciona essas definições?
Quantas vezes eu posso errar antes de ser taxada de burra?
Quantas vezes tenho o direito de ficar quieta antes que eu me torne depressiva?
Quantas vezes tenho direito de me aborrecer, perder a compostura ou ser um pouco ríspida, antes de me tornar uma estúpida pro resto da vida?
É de deixar qualquer um louco essa tentativa de ser uma coisa, correndo risco de mudar pra outra a qualquer momento, né?!
Ainda bem que encontrei alguém que me ensinou que eu posso ser tudo isso!
Que eu posso entender as coisas rapidamente, mas me dar o direito de ser meio leure um dia ou outro;
De gostar de estar com o mundo, mas me permitir usufruir da minha própria companhia vez ou outra;
De ser gentil, mas me deixar estar em um mal dia de vez em quando;
Que eu não preciso me decidir entre ser uma coisa e outra, que eu posso ser as duas, as três, as quatro, ou quantas eu quiser.
E para cada momento da minha eu encontro uma pessoa diferente, as vezes mais séria, as vezes mais brincalhona.
E com essa pessoa eu descobri o prazer de ser plural.
Chega de tentar me enquadrar.
Tem dias que não tô com saco pra estudar, nem pra falar, nem pra ser simpática.
Se conseguirem entender, bem .. senão FODA-SE! (tá aí outra coisa que essa pessoa me ensinou! rsrsrs.).
As pessoas costumam esperar um comportamento da gente que as vezes naquele dia não dá, e se tivermos que decepcionar alguém por isso .. paciência, né?!
O que não dá (e não dá mesmo!) é pra ficar tentando controlar emoções porque em algum momento da vida alguém estabeleceu que você teria que ser estudiosa, tagarela ou gentil.
Abrace tudo! Seja plural! Até porque, já dizia Oscar Wide: "Definir é limitar!" e quem se define se limita a ser sempre somente aquilo, sem oportunidade de crescimento!

E viva a pluralidade!

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